quinta-feira, 9 de junho de 2011

Realidade paralela da web

Em tempos atuais, o avanço tecnológico chegou a interferir até o agir do homem. Neste contexto, as redes sociais também se tornaram uma nova forma de se comunicar. O homem parece estar preso neste universo da web que de uma certa forma aproxima ou não a relação social entre as pesoas.
Viver uma realidade paralela no mundo virtual
Focada apenas no interesse de relacionamento eletrônico, a pessoa ganha um novo eu numa realidade paralela. Ela se transforma em algo totalmente oposto de sua real personalidade para conquistar novos amigos, seguidores, fãs. Viver uma outra coisa, querer ser uma outra pessoa só para obter mais popularidade é, consequentemente, criar um mero personagem e expor seu caráter por uma mediocridade.


Comentário do Artigo "Curtir é Covardia", de Jonathan Franzen http://blogs.estadao.com.br/link/curtir-e-covardia/

Abusado ou não?

Abusado. O Dono do Morro Dona Marta
Caco Barcellos. Ed. Record.

           O livro-reportagem de Caco Barcellos mostra a realidade das favelas do Rio de Janeiro a partir de um outro ângulo: “o lado certo da vida errada”. Durante sete anos, o jornalista investigou a vida e conviveu com um dos maiores traficantes da história do Estado, ou até mesmo, do país. Juliano VP, codinome dado a Marcinho VP,  foi o personagem principal do livro.
          Com base na história de VP, sua vida no Morro Dona Marta e integrante da facção Comado Vermelho, Caco traz ao leitores os motivos e circunstâncias do tráfico de drogas e crime na favela, apresentando de forma literária depoimentos de moradores, famílias, outros traficantes, que explicam o porquê de viverem nesse meio ou não. Apresenta também as condições de vida dessas pessoas e o preconceito que se tem perante suas imagens.
            De uma forma envolvente, o leitor conhece as histórias de lutas pela sobrevivência, o abandono do governo, a vontade ou não de viver “o lado certo da vida errada”, como dizia o próprio Marcinho em suas declarações. Brigas entre facções, problemas  e corrupções da própria polícia, o bem estar que o dinheiro do tráfico dava à pessoas, discrinamação social e a vontade de ser o Dono do Morro e ser, enfim, respeitado e temido por todos são contados pelos personagens reais do livro.
Um diferencial, também apresentado no livro, de VP era sua paixão pela literatura, seu amor pelos moradores e vontade de mudar as condições de vida na favela para algo melhor. Ele buscava de maneira errada e ousada uma qualidade de vida digna. 
            Após três meses do lançamento do livro, uma “tragédia” aconteceu com Marcinho em Bangu, onde ao termino da reportagem, estava preso. VP foi morte pelos próprios companheiros de facção por ter falado demais e exposto a real vida da favela do Rio.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Arquitetura inclusiva ao alcance de todos

Projetar um imóvel acessível pode melhorar a qualidade de
vida, além de garantir independência, comodidade e segurança

 Caroline Baptista

Joyce Cristina, 29 anos, vê a vida passar deitada em sua cama ou sentada na cadeira de rodas motorizada. Ela se lembra de quando ficou tetraplégica, há nove anos. Um passeio com o pai, briga de trânsito, tiros, hospital, coluna cervical... Após anos de fisioterapia, recuperou o movimento dos braços, o que lhe facilita a execução de algumas atividades. “Posso comer, escovar os dentes e pentear o cabelo”.
Há três anos, ela mora num apartamento no 11º andar, com cômodos pequenos, corredores e portas estreitas. Apesar de dificultar um pouco sua mobilidade, o imóvel foi escolhido por sua mãe, por ser próximo à faculdade onde trabalha e estuda, mas, para Joyce, locomover-se pelo apartamento é difícil. “Para entrar no meu quarto, preciso da ajuda da minha mãe para ajeitar a cadeira, pois as portas são estreitas e o cômodo é pequeno, não consigo girar a cadeira sozinha”, comenta.
Para tomar banho mais uma dificuldade, por não mover as pernas e parte do tronco, precisa novamente de ajuda. Num banheiro pequeno, ela não consegue entrar no box e tem que se banhar do lado de fora. Em tudo, Joyce se divide entre coisas que pode ou não fazer no espaço. “Consigo abrir portas por terem maçanetas de alavancas, que não exigem força, mas acender as luzes não, pois estão numa altura que não dá ”, lamenta. 
Giovanna Maira também tem deficiência, mas seu caso é visual. Há 23 anos, quando tinha apenas um ano de idade, foi diagnosticada a perda total de sua visão. Ao se locomover usa o tato e a memória. “Nós cegos decoramos o posicionamento de cada mobília”. Apenas com esses dois sentidos, ela caminha tranquilamente por todos os ambientes sem nenhum recurso acessível. A jovem também ressalta que os móveis devem permanecer em locais fixos, “é preciso manter os móveis e demais coisas existentes na casa sempre no mesmo lugar, para que acidentes sejam evitados”. 
Para dar conforto, segurança e autonomia a pessoas como Giovanna e Joyce, foram promulgadas no Brasil, leis e decretos que garantem acessibilidade em todos os ambientes, inclusive nas casas e apartamentos. A Arquitetura Inclusiva e o Desenho Universal são os principais meios de criar espaços e produtos usáveis por todos, independente da capacidade motora, cognitiva ou sensorial.  Desenho Universal busca conceber espaços, equipamentos e produtos acessíveis a todas as pessoas, independente da capacidade motora, cognitiva ou sensorial, sem adaptação especial, de forma a assegurar conforto, autonomia e segurança no uso. Já Arquitetura inclusiva é a arquitetura da diversidade humana, na qual deve ser respeitada através da qualidade e inclusão de todos no espaço. Arquitetos e designers devem aplicar o conceito do Desenho Universal, nas edificações públicas, coletivas, vias públicas, mobiliários e habitações.
Projetar uma casa acessível vai além do espaço físico, pequenos detalhes podem dar independência e comodidade às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. A arquiteta especializada em acessibilidade, Renata Mello, explica que a arquitetura acessível deve estar focada nisso. “As portas devem ter largura mínima de 80 centímetros e as maçanetas devem ser de alavanca; as janelas e tomadas de um dormitório devem estar numa altura mais baixas”, completa. Há também outros recursos disponíveis como barras de apoio, sinalizações visuais e sonoras, rampas e pisos antiderrapantes entre outros.
 Pessoas com deficiência física, como Joyce, precisam de alguém para ajudá-las em diversas atividades, Renata alerta a necessidade, por exemplo, de um banheiro amplo. “O espaço precisar ter uma área maior de circulação, para que o cuidador de uma pessoa tetraplégica tenha mais espaço quando for auxiliar no banho”. Já para atender Giovanna Maira, a arquiteta recomenda que, além de móveis fixos, haja informações em braille em alguns elementos da casa.     
Apesar das dificuldades de locomoção, as pessoas conseguem se adaptar mesmo sem acessibilidade, mas isso não garante qualidade de vida. A Arquitetura Inclusiva se tornou lei e a acessibilidade deve ser exigida em  todos os espaços públicos ou privados, habitações ou moradias. “São raríssimos os locais que estão preparados, não só para os deficientes, mas para qualquer cidadão com alguma necessidade especial. Temos o direito de escolher aquilo que esteja preparado para nossas limitações e que nos respeite”, conclui Giovanna. 

Cinema acessível possibilita a inclusão

Com recursos e tecnologia, pessoas com deficiências auditiva e visual podem apreciar obras cinematográficas mesmo sem ouvir ou enxergar
Caroline Baptista
O cinema encanta a muitos com as grandes ou pequenas produções de filmes sobre realidade, ficção, história, entre outros. Não é à toa, que ele é considerado a sétima arte do mundo contemporâneo. Porém nem todos podem apreciar a cinematografia como as pessoas com deficiência.
Durante a Reatech, a segunda maior feira internacional de reabilitação, inclusão e acessibilidade para pessoas com deficiência, o cinema inclusivo foi uma das atrações que chamou a atenção de vários visitantes, independente de ter ou não deficiência. Entre os dias 14 e 17 de abril, estandes com telas, poltronas e fones de ouvidos apresentavam uma nova maneira de ver e ouvir filmes. Com recursos acessíveis como audiodescrição, janela de libras e subtitulação, pessoas com deficiências visual e auditiva tiveram a oportunidade apreciar obras cinematográficas.
Num estande lotado, Cássia Freitas, com o fone de ouvido, escuta atentamente a narração do filme. Ela é cega há cinco anos e desde então nunca mais tinha ido ao cinema. Mas na feira pôde fazer algo inédito: assistir a um filme. Com a audiodescrição, ela conseguiu imaginar todas as cenas e personagens do ‘curta’ religioso de cinco minutos. “Você entende as cenas, os ambientes e as ações dos atores”, comenta.
A audiodescrição é o recurso que consiste na descrição das informações visuais, não estão presentes em diálogos, como, por exemplo, expressões faciais, figurino, mudanças de tempo e espaço. Com ela, pessoas como Cássia, conseguem entender a informação contida na imagem ao mesmo tempo em que esta aparece, possibilitando o acompanhamento integral do filme, pois as descrições vão acontecendo nas pausas sonoras e se harmonizam com todo o filme. Outros recursos de acessibilidade, voltados às pessoas com deficiência auditiva, são as janelas de libras e subtitulação que dão acesso à informação sonora, como, por exemplo, as falas dos personagens, por meio da língua brasileira de sinais e legenda.
A novidade, apresentada na feira, foi a aplicação da tecnologia 3D nos filmes audiodescritivos. André Rocha, expositor do cinema em 3D pela associação religiosa Torre de Vigia explica que, pela primeira vez, inseriu-se a audiodescrição com a tecnologia binaural, ou seja, o som vai projetar uma sensação de tridimensionalidade. “O som possibilita a criação de holograma mental que dá ao cego a uma sensação semelhante à de assistir um vídeo em 3D”, explica.
O “Cinema Inclusão”, da ONG Mais Diferenças, foi outra atração da feira. A ONG apresentou o projeto que exibia filmes comerciais de curta duração com todos os recursos de acessibilidade: janela de libras e subtitulação, além da audiodescrição.
Todo trabalho de aplicação dos recursos acessíveis em filmes é feita pelas próprias instituições. Ana Rosa, coordenadora de comunicação da Mais Diferenças, explica que toda produção acessível é feita pela própria ONG. “Nós fazemos todos esses recursos, desde o roteiro da audiodescrição ou libras até a edição que acompanha o filme”. Na associação Torre de Vigia não é diferente, Rocha conta que a inserção dos recursos nos filmes é realizada por voluntários do projeto.
Esse tipo de cinema não é exclusivo para pessoas com deficiência. A exibição de filmes com recursos acessíveis permite que todas as pessoas possam desfrutar do momento. Para Ana Rosa, muitas vezes ele até auxilia no entendimento, independente da situação. “Os recursos de acessibilidade auxiliam também pessoas que não tem deficiência a entrar no contexto, perceber a arte e a linguagem cinematográfica de um jeito diferente, de compreender e usufruir”, conclui.